Meu filho está demorando para andar: quando procurar avaliação?
A comparação com outras crianças é inevitável e quase sempre enganosa. O que realmente importa observar.

Andar é o marco mais visível da primeira infância e por isso o mais comparado. Basta uma reunião de família para que alguém pergunte, e a comparação com o primo que andou aos dez meses costuma gerar mais ansiedade do que informação.
A verdade é que a faixa considerada típica para os primeiros passos independentes é larga. Crianças que andam cedo e crianças que andam mais tarde podem estar igualmente bem.
O caminho importa mais que a data
O que um profissional observa não é apenas quando a criança anda, mas como ela chegou até ali.
Andar é o topo de uma sequência. Antes vêm o controle de cabeça, o rolar, o sentar com equilíbrio, o ficar de pé com apoio, o andar apoiado nos móveis. Uma criança que percorreu esse caminho de forma consistente e simplesmente está levando um pouco mais para soltar as mãos é uma situação. Uma criança em que várias dessas etapas foram atípicas é outra.
Por isso a pergunta útil não é "ele já anda?", e sim: como ele se move, o que ele já conquistou, e essas conquistas vieram em que ordem.
O que costuma justificar avaliação
- Não ficar de pé com apoio dentro do período esperado
- Não engatinhar nem desenvolver nenhuma forma alternativa de se deslocar
- Assimetria clara: usar consistentemente mais um lado do corpo
- Rigidez ou, no extremo oposto, sustentação muito frouxa nas pernas
- Andar exclusivamente na ponta dos pés de forma persistente
- Ter andado e ter deixado de andar
O andador atrapalha?
Uma pergunta frequente e uma resposta que costuma surpreender: os andadores não ajudam a criança a andar mais cedo. Eles permitem deslocamento sem que a criança desenvolva o equilíbrio e o controle de tronco que a marcha independente exige e ainda representam risco de acidente, sendo objeto de recomendação contrária por entidades pediátricas.
O que favorece a marcha é o oposto: tempo no chão, espaço seguro para explorar, oportunidade de se puxar para ficar de pé nos móveis e de cair um pouco no processo.
Se a dúvida persiste
Uma avaliação de fisioterapia infantil observa o desenvolvimento como um todo e responde com clareza. Na maioria das vezes, a resposta é que está tudo caminhando. Quando não é, você descobre cedo.